Dor_Pelvica

Estudo revela que terapia com EMTr pode aliviar a dor pélvica crônica

Por Joana Carvalho
 

A estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr), uma técnica não invasiva de estimulação cerebral, pode ser uma terapia viável para mulheres com endometriose que experimentam dor pélvica crônica, e para quem outros tratamentos falharam, sugere estudo.
 

O estudo, “terapia de estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) para pacientes com endometriose com dor crônica pélvica refratária: um estudo piloto”, foi publicado no Journal of Clinical Medicine.
 

A endometriose é uma doença inflamatória crônica causada pelo crescimento anormal de células do útero fora do útero. Estima-se a doença afeta aproximadamente 10% de todas as mulheres em idade reprodutiva e geralmente está associada à dor pélvica crônica, entre outros sintomas debilitantes.
 

“Mesmo com abordagens terapêuticas combinadas, nem todos os pacientes experimentam alívio da dor, onde para muitos, a dor crônica intratável é um grande problema, apesar das repetidas cirurgias. Essa condição é frequentemente associada ao uso excessivo de medicamentos, comprometimento da qualidade de vida e depressão”, disseram os pesquisadores.
 

Estudos anteriores mostraram que a EMTr, uma técnica não invasiva na qual as células nervosas do cérebro são estimuladas com pulsos magnéticos, realizada sobre o córtex motor do cérebro (região responsável pelo controle dos movimentos voluntários, chamada M1) conduziu efetivamente o alívio da dor em alguns tipos de dor.
 

No entanto, a eficácia da EMTr no controle da dor pélvica crônica associada à endometriose nunca havia sido abordada.
 

Uma equipe de pesquisadores franceses se propôs a avaliar o potencial terapêutico da EMTr no fornecimento de alívio da dor e melhoria da qualidade de vida de mulheres com endometriose que experimentam dor pélvica crônica.
 

O estudo piloto, prospectivo e aberto (NCT03204682) envolveu um total de 12 mulheres com endometriose que completaram cinco sessões (uma por dia) de EMTr entregues em M1 (1.500 pulsos a 10 Hz) por cinco dias consecutivos. A tolerabilidade do tratamento, as alterações na percepção de dor e a qualidade de vida dos pacientes foram examinadas até quatro semanas após o tratamento, com avaliação do resultado primário no oitavo dia.
 

A EMTr foi bem tolerada pelas mulheres. No entanto, 50% dos pacientes relataram ter dores de cabeça leves e 25% experimentaram astenia (fraqueza geral e fadiga). Nenhum evento adverso grave ou agravamento da dor foi relatado por nenhum dos participantes.
 

No total, 9 das 12 mulheres inicialmente inscritas no estudo relataram melhorias na percepção de dor, medida pela escala de Impressão Global de Mudança do Paciente (PGIC).
 

De acordo com os dados do Brief Pain Inventory (Inventário de Dor Breve), a EMTr levou a uma diminuição significativa na intensidade da dor (5,1 vs 4,1) do dia 1 ao dia oito, e no impacto geral da dor na qualidade de vida dos pacientes (6,2 vs 4,2). Essas melhorias na intensidade da dor e interferência permaneceram presentes até quatro semanas após o tratamento.
 

“Este estudo piloto prospectivo mostrou que a EMTr motora de alta frequência é viável e bem tolerada em pacientes com dor pélvica crônica refratária devido à endometriose”, disseram os pesquisadores.
 

“Este estudo abre o caminho para um estudo futuro da eficácia analgésica usando um estudo duplo-cego e apresenta apoio inicial promissor para uma nova técnica analgésica para uso na prática clínica diária em pacientes para os quais todos os outros tratamentos falharam. Embora não invasivo e bem tolerado, um estudo confirmatório usando um desenho duplo-cego é obrigatório antes de desenvolver tal tratamento na prática diária”, acrescentaram.
 

Tradução e adaptação livre do texto original em inglês do site Endometriosis News
Publicado em 28 de maio de 2019.
 
 
 

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