EMTr ou Escetamina: Qual o melhor tratamento para Depressão Resistente?

EMTr ou Escetamina: Qual o melhor tratamento para Depressão Resistente?

Por TMS Brasil. Junho, 2026.
 

Uma pesquisa comparou dois dos principais recursos modernos, a EMTr e a Escetamina, para quem não responde aos antidepressivos tradicionais, e os resultados podem mudar a forma como médicos escolhem o tratamento.
 

O que é Depressão Resistente ao Tratamento?
A depressão é uma das condições de saúde mental mais comuns no mundo. Contudo, nem todos os pacientes respondem bem aos antidepressivos convencionais. Quando isso acontece, após o uso adequado de pelo menos dois medicamentos diferentes, estamos diante do que os especialistas chamam de Depressão Resistente ao Tratamento (DRT).
 

Para esses pacientes, existem opções mais avançadas, como:

  • A Estimulação Magnética Transcraniana repetitiva (EMTr), é um procedimento não invasivo que utiliza pulsos magnéticos para estimular regiões específicas do cérebro;
  • A Escetamina intranasal (ESK), é uma versão modificada da cetamina, aprovada pela FDA para uso em depressão resistente.

Ambos os tratamentos já são reconhecidos como eficazes. Mas qual deles funciona melhor na prática? Um estudo científico recente buscou responder exatamente essa pergunta.
 

O estudo: O que foi pesquisado?
Publicado por pesquisadores da Mindful Health Solutions e da NYU Wagner School of Public Service, o estudo comparou os dois tratamentos em um cenário do mundo real, ou seja, fora das condições controladas de um laboratório.
 

Foram analisados dados de 4.981 pacientes ambulatoriais com diagnóstico de depressão resistente ao tratamento, atendidos em uma rede de clínicas psiquiátricas com múltiplas unidades.
 

Os grupos foram divididos assim:

  • 4.314 pacientes receberam EMTr
  • 640 pacientes receberam Escetamina intranasal

Ambos os grupos foram tratados por profissionais especializados e seguindo protocolos baseados em evidências científicas. Para medir a melhora dos sintomas, os pesquisadores usaram escalas validadas internacionalmente, como o PHQ-9 (avaliação de sintomas depressivos), o MADRS (escala de depressão de Montgomery-Åsberg) e o GAD-7 (escala de ansiedade generalizada).
 

O acompanhamento durou 6 meses após o início do tratamento.
 

O que os resultados mostraram?
A boa notícia é que tanto a EMTr quanto a Escetamina mostraram resultados de eficácia comparáveis aos dos ensaios clínicos científicos, o que confirma que esses tratamentos, quando aplicados corretamente, realmente funcionam para pessoas com depressão resistente.
 

A EMTr se saiu melhor em praticamente todos os aspectos
Quando os pesquisadores compararam os dois grupos entre si, s EMTr apresentou resultados superiores em diversas medidas:
 

1. Melhora mais rápida e mais duradoura dos sintomas
Os pacientes tratados com EMTr apresentaram uma redução mais intensa dos sintomas depressivos logo no início do tratamento, e esse benefício se manteve ao longo dos 6 meses de acompanhamento.
 

2. Mais pacientes responderam ao tratamento

  • No grupo EMTr: 39,8% dos pacientes apresentaram resposta clínica significativa
  • No grupo Escetamina: 33,0% apresentaram resposta clínica significativa

3. Mais pacientes entraram em remissão (ficaram sem sintomas)

  • No grupo EMTr: 19,4% atingiram remissão
  • No grupo Escetamina: 12,8% atingiram remissão

4. Menor carga de sintomas ao longo do tempo
Ao calcular a soma dos sintomas ao longo de 90 e 180 dias (uma medida chamada AUC, ou Área Sob a Curva), os pacientes do grupo EMTr apresentaram menor sofrimento acumulado durante o período de tratamento.
 

O que esses números significam na prática?
Em termos simples: para cada 10 pessoas com depressão resistente tratadas com EMTr, cerca de 4 terão uma resposta expressiva ao tratamento. Com a Escetamina, essa proporção é de aproximadamente 3 em cada 10.
 

Quanto à remissão, que significa basicamente ficar livre dos sintomas, a EMTr gerou aproximadamente 50% mais remissões do que a Escetamina (19,4% vs. 12,8%).
 

Além disso, os sintomas de ansiedade (medidos pelo GAD-7) e a escala MADRS apontaram na mesma direção que o PHQ-9, o que aumenta a confiança nos resultados.
 

Por que esse estudo é importante?
Até hoje, havia uma lacuna importante na literatura científica: faltavam comparações diretas entre EMTr e Escetamina em condições reais de atendimento. Estudos anteriores avaliavam cada tratamento separadamente, tornando difícil para os médicos saber qual indicar primeiro.
 

Este estudo, com quase 5.000 pacientes, é um dos maiores já realizados nessa comparação e oferece uma base sólida para que os profissionais de saúde possam tomar decisões mais embasadas ao escolher o tratamento para seus pacientes.
 

Limitações do Estudo
Como toda pesquisa, este estudo também tem limitações. Por ser um estudo observacional (sem divisão aleatória dos pacientes entre os grupos), podem existir fatores que influenciaram qual tratamento cada paciente recebeu, o que pode, em parte, explicar as diferenças encontradas. Os próprios pesquisadores reconhecem essa limitação e sugerem que estudos clínicos randomizados são necessários para confirmar os achados.
 

Conclusão
Embora tanto a EMTr quanto a Escetamina sejam tratamentos eficazes para a depressão resistente, os dados deste estudo indicam que a EMTr pode oferecer vantagens importantes: melhora mais rápida e duradoura dos sintomas, maior taxa de resposta e de remissão, e menor carga de sintomas ao longo do tempo.
 

Isso não significa que a Escetamina não tem seu lugar – cada paciente é único, e o médico precisa avaliar o histórico, as preferências e as condições de cada pessoa antes de escolher o tratamento mais adequado.
 

Se você ou alguém que você conhece sofre de depressão resistente ao tratamento, converse com um psiquiatra especializado para entender qual opção pode ser mais indicada no seu caso.
 

Referência Bibliográfica
Minzenberg, M., West, H., McInnes, L. A., Bravata, D., & Marton, T. (2024). Comparative Effectiveness of rTMS Vs. Esketamine in a Large Real-World Sample. Mindful Health Solutions / NYU Wagner School of Public Service. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.transm.2026.100254
 

*Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde qualificado.